Volume 13 Edição 3 *Autor(a) correspondente joopamaral@gmail.com Publicado em 20 dez 2025 Como Citar? AMARAL, J. V. P. Curadoria e análise crítica: revisão de seleção da produção acadêmica recente sobre o Rio de Janeiro (até 2025.2). Coleção Estudos Cariocas, v. 13, n. 3, 2025. O artigo foi originalmente submetido em PORTUGUÊS. As traduções para outros idiomas foram revisadas e validadas pelos autores e pela equipe editorial. No entanto, para a representação mais precisa do tema abordado, recomenda-se que os leitores consultem o artigo em seu idioma original. | Curadoria e análise crítica: revisão de seleção da produção acadêmica recente sobre o Rio de Janeiro (até 2025.2) Curation and critical analysis: a selective review of recent academic production on Rio de Janeiro (until 2025.2) Curación y análisis crítico: revisión selectiva de la producción académica reciente sobre Río de Janeiro (hasta 2025.2) João Vitor P. do Amaral¹ 1Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos, R. Gago Coutinho, 52 - Laranjeiras, Rio de Janeiro- RJ, 22221-070, ORCID 0009-0001-8399-018X, joopamaral@gmail.com Resumo Esta revisão bibliográfica apresenta uma seleção crítica de artigos acadêmicos relevantes sobre o Rio de Janeiro e suas múltiplas interlocuções, publicados até o segundo semestre de 2025. Para cada trabalho selecionado, elabora-se uma resenha analítica, destacando contribuições, relevância e aspectos inéditos das pesquisas abordadas. Palavras-chave: revisão bibliográfica, curadoria, Rio de Janeiro. Abstract This literature review presents a critical selection of relevant academic articles on Rio de Janeiro and its multifaceted interconnections, published through the second half of 2025. For each selected work, it provides an analytical summary, highlighting contributions, significance, and novel aspects of the cited research. Keywords: literature review, critical selection, Rio de Janeiro. Resumen Esta revisión bibliográfica presenta una selección crítica de artículos académicos relevantes sobre Río de Janeiro y sus múltiples interconexiones, publicados hasta el segundo semestre de 2025. Para cada trabajo seleccionado, se elabora una reseña analítica, destacando contribuciones, relevancia y aspectos innovadores de las investigaciones citadas. Palabras clave: revisión bibliográfica, selección crítica, Río de Janeiro. |
de Jeanne Cordeiro, Angela Buarque e Alice Táboas
O artigo “As contas de escambo do Rio de Janeiro no século XVI” analisa contas de vidro do século XVI recuperadas em seis sítios arqueológicos no Rio de Janeiro, três no centro histórico e três na Região dos Lagos, utilizadas no escambo entre grupos Tupinambá e europeus, principalmente franceses Através da análise morfológica e difração de raios X de exemplares (incluindo os tipos diagnósticos Nueva Cádiz e Chevron), as autoras demonstram que essas contas funcionaram como uma das primeiras "moedas" nas Américas e foram predominantemente trazidas por comerciantes normandos e bretões, a pesquisa destaca como o fracionamento dessas peças tubulares poderia servir para multiplicar o poder de barganha nas redes de escambo, além de apontar a procedência francesa de exemplares específicos encontrados na área central da cidade. O estudo é particularmente relevante para a compreensão da formação urbana do Rio de Janeiro, pois documenta materialmente as trocas comerciais e os encontros coloniais que precederam a fundação oficial da cidade, revelando camadas históricas invisibilizadas pela urbanização acelerada que destruiu importantes sítios arqueológicos do período quinhentista, destacando a urgência de valorizar e proteger o patrimônio arqueológico carioca.
Jeanne Cordeiro é mestre em história, arqueóloga e doutoranda pelo Museu Nacional - PPGArq e Coordenadora Geral e Historiadora do Laboratório de Arqueologia Brasileira (LAB). Angela Buarque é doutora em arqueologia e pesquisadora colaboradora no Departamento de Antropologia, Museu Nacional (UFRJ) e Alice Táboas é arqueóloga e historiadora no Laboratório de Arqueologia Brasileira (LAB).
de Luiza de Cavalcanti Azeredo Ferreira
O artigo “O Rio de Janeiro em dois tempos: os planos diretores de 1977 e 1992 em perspectiva” oferece uma análise comparativa sobre o processo de redemocratização do Rio de Janeiro através de dois marcos do planejamento urbano carioca: o Plano Urbanístico Básico (PUB-Rio) de 1977 e o Plano Diretor Decenal de 1992. A autora reconstrói os contextos políticos e institucionais que moldaram cada plano, demonstrando como o PUB-Rio, elaborado durante a ditadura militar sob a prefeitura de Marcos Tamoyo, representou a consolidação de uma lógica centralizadora e tecnocrática, na qual o planejamento urbano estava subordinado aos interesses federais e voltado principalmente para viabilizar o acesso a recursos através do "planejamento integrado". Em contraste, o Plano de 1992, desenvolvido na gestão do prefeito eleito Marcelo Alencar, emergiu no contexto pós-Constituição de 1988, incorporando instrumentos como as Áreas de Especial Interesse Social, o solo criado e mecanismos de participação popular através de seminários e do Conselho Municipal de Política Urbana (Compur). A pesquisa revela, entretanto, que o novo plano enfrentou resistências significativas, recebendo mais de mil emendas na Câmara Municipal e sendo alvo de pressões de grupos empresariais que, desde a ditadura, articularam-se para neutralizar instrumentos progressistas, resultando na não implementação de medidas fundamentais como o imposto progressivo sobre terrenos ociosos. O trabalho constitui uma contribuição fundamental para a historiografia do urbanismo carioca, não apenas por sistematizar a documentação e legislação desses dois momentos cruciais, mas por evidenciar como as transformações no tecido urbano refletem disputas políticas mais amplas.
Luiza de Cavalcanti Azeredo Ferreira é doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense (2021) e especialista em Política e Planejamento Urbano pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2025) e possui mestrado (2015) e graduação (2012) em História pela Universidade Federal Fluminense.
de Marcos L. Campos
O artigo “Fare Money Stories: Transportation and Everyday Practices in the Peripheries of Rio de Janeiro”, de Marcos L. Campos, investiga, por meio de uma abordagem etnográfica, como o dinheiro da passagem configura-se como uma prática coletiva, moral e material que organiza a vida urbana da população pobre e racializada. A partir das narrativas de poetas periféricos, o estudo demonstra que garantir o deslocamento envolve negociações complexas, mobilização de redes sociais e um conhecimento da infraestrutura da cidade, revelando uma experiência urbana precária, multifacetada e profundamente marcada pela intersecção entre o formal e o informal, o legal e o ilegal. O trabalho oferece uma contribuição valiosa aos estudos urbanos ao deslocar o olhar das narrativas técnicas de planejamento para a complexidade moral e material do cotidiano periférico, expondo como políticas de transporte que ignoram essas realidades, como o aumento de 48% nas tarifas dos trens durante a pandemia, aprofundam vulnerabilidades e produzem efeitos negativos sobre a mobilidade e subsistência da população negra e pobre carioca.
Marcos Vinicius Lopes Campos é pesquisador associado do Grupo Casa (IESP-UERJ), doutor em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ) e mestre em Ciência Política pela Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo (DCP/USP), onde também se graduou em Ciências Sociais.
de Morena Freitas
O artigo “Fazendo Crianças: uma iconografia das ibejadas pelos centros, lojas e fábricas do Rio de Janeiro, Brasil” apresenta uma etnografia sobre a produção e circulação das imagens das ibejadas (entidades infantis da umbanda) no Rio de Janeiro, acompanhando sua trajetória desde a fabricação artesanal em pequenas oficinas de "fundo de quintal" na Baixada Fluminense até sua consagração nos congás dos centros religiosos. Ao acompanhar esse trânsito entre a produção, o comércio e o uso ritual, a autora demonstra como o mesmo objeto de gesso muda de estatuto ontológico: é visto como mero trabalho ou "apenas gesso" por operários muitas vezes evangélicos, torna-se mercadoria personalizável nas vitrines e, finalmente, converte-se em presença sagrada e singularizada pelos devotos. O trabalho se destaca por ampliar geograficamente o campo de estudos das religiões afro-brasileiras para além dos espaços de culto, mapeando uma complexa economia religiosa urbana que conecta bairros periféricos, centros comerciais populares e terreiros, revelando redes materiais, simbólicas e econômicas fundamentais para compreender a presença, a vitalidade e a dinâmica espacial da umbanda na paisagem cultural, comercial e religiosa carioca contemporânea.
Morena Barroso Martins de Freitas é Doutora em Antropologia Social pelo Museu Nacional/UFRJ, Antropóloga da Superintendência do Iphan em Sergipe e Professora Substituta do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe
de Cláudia Pereira
O artigo apresenta o Museu das Juventudes Cariocas (MuJuCa), uma iniciativa em construção que visa criar um museu virtual dedicado às experiências da juventude na cidade do Rio de Janeiro. A premissa central é que não se pode categorizar "juventude" apenas em parâmetros etários, mas sim vê-la enquanto construção social, de memória e representação, que se forma a partir de subjetividades, vivências urbanas e significados compartilhados pelo consumo cultural e midiático. O projeto reúne histórias de vida e artefatos midiáticos digitais de cariocas que tiveram entre 18 e 25 anos em seis décadas distintas, de 1960 a 2010, buscando capturar a diversidade intra e intergeracional das juventudes.
Metodologicamente, a pesquisa combina revisão de literatura, história de vida e pesquisa documental. O enfoque teórico é interdisciplinar, dialogando com a sociologia e antropologia da juventude (José Machado Pais, Rossana Reguillo), teorias das representações sociais (Stuart Hall), estudos de memória (Maurice Halbwachs) e museologia (Monique Magaldi, Teresa Cristina Scheiner). A coleta de dados utiliza o método biográfico, com "relatos paralelos" de múltiplos entrevistados sobre o tema de suas juventudes no Rio, de modo a construir uma memória coletiva a partir de narrativas individuais.
Os resultados preliminares da pesquisa identificam significados geracionais compartilhados que conectam diferentes épocas, como música, moda, espaços de sociabilidade, práticas cotidianas, contextos políticos e sexualidade. Paralelamente, evidenciam como essas experiências são delimitadas por aspectos financeiros, morais e geográficos dentro do próprio Rio. O MuJuCa, ao criar essa coleção virtual, pretende funcionar como um "lugar de memória" que, ao reunir histórias pessoais, permite questionar a noção homogênea de "juventude" propagada pela mídia e formar uma "comunidade imaginada" entre gerações, destacando tanto as continuidades quanto as rupturas nas vivências dos jovens cariocas ao longo do tempo.
Cláudia Pereira é Doutora em Sociologia e Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Professora Associada da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, atuando na área de Comunicação Social.
de Monique Cristina dos Santos, Natalia Fintelman Rodrigues, Aline de Paula Dias da Silva, Rodolfo Leandro Nascimento Silva, Victor Corrêa Seixas, Amanda A. Batista da Silva, Marcelo Alves Ferreira, Patrícia T. Bozza, Fernando A. Bozza e Thiago Moreno L. Souza
O artigo trata de um estudo que analisou a diversidade genética e a evolução do SARS-CoV-2 no Complexo de Favelas da Maré, no Rio de Janeiro. O principal achado parte da alta taxa de letalidade por COVID-19, significativamente maior que o resto da cidade. Os autores concluem que isso serviu como um ponto de amplificação e diversificação do vírus. As análises genômicas mostraram que as estirpes virais identificadas na Maré entre 2020 e 2022, incluindo variantes como Gama, Delta e um novo subgrupo da Ômicron, estavam ligadas filogeneticamente a casos em vários países, sugerindo que a circulação intensa em condições de aglomeração e vulnerabilidade socioeconômica contribuiu para a evolução e disseminação global do vírus.
As conclusões do estudo destacam que comunidades carentes e densamente povoadas (como as favelas) são pontos críticos negligenciados para a sustentação e evolução de vírus. A pesquisa reforça a necessidade urgente de integrar essas áreas nos sistemas globais de vigilância epidemiológica e genômica. Sendo assim, priorizar a melhoria da infraestrutura sanitária, o acesso à saúde e a vigilância ativa em favelas é fundamental para a preparação e resposta a futuras pandemias.
Monique Cristina dos Santos é doutoranda em Biologia Celular e Molecular pela Fundação Oswaldo Cruz. Natália Fintelman Rodrigues é Doutora em Biologia Celular e Molecular, com ênfase em Farmacologia e Imunologia, pela Fundação Oswaldo Cruz, realizando estágio pós-doutoral na mesma instituição. Aline de Paula Dias da Silva é doutoranda em Biologia Celular e Molecular pela Fundação Oswaldo Cruz. Rodolfo Leandro Nascimento Silva é doutor em Biodiversidade e Biologia Evolutiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, realizando estágio pós-doutoral na Universidade Federal Fluminense. et. al.
de Adriana Kelly Santos e Iaralyz Fernandes Farias
A pesquisa qualitativa, no período de 2015 a 2018, teve como objetivo desenvolver e analisar a produção compartilhada de um jogo educativo sobre sexualidade e prevenção do HIV com adolescentes de uma escola pública de ensino médio no Rio de Janeiro. Utilizando o método de problematização de Paulo Freire, o estudo promoveu diálogos e intervenções no cotidiano escolar, discutindo temas como a desconstrução de perspectivas biomédicas e heteronormativas, o uso do preservativo feminino, terminologias relacionadas ao HIV (como soropositividade e carga viral), testagem, PrEP, PEP e tratamento. A metodologia participativa permitiu a criação do jogo "Sexualidade e prevenção do HIV", composto por 36 cartas, facilitando a educação entre pares de forma contextualizada e interativa.
A análise das interações revelou que os adolescentes compreendem a adolescência como um período de descobertas e responsabilidade, mas enfrentam barreiras como discursos moralistas, normas de gênero rígidas e estigmas relacionados ao HIV. O contexto escolar, embora marcado por controles disciplinares e uma lógica heteronormativa, mostrou-se um espaço estratégico para debates sobre sexualidade e prevenção. Os jovens demonstraram familiaridade com o preservativo masculino, mas tinham pouco conhecimento sobre outras tecnologias de prevenção, como a PrEP. O estudo conclui que abordagens participativas, que valorizam as experiências dos adolescentes, são essenciais para uma prevenção eficaz do HIV, destacando a importância da educação entre pares e da comunicação contextualizada.
Adriana Kelly Santos é doutora em saúde pública pela Fundação Oswaldo Cruz, instituição onde também atua como pesquisadora. Iaralyz Fernandes Farias é mestre em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
de Steffen Knoblauch, Ram Kumar Muthusamy, Maya Moritz, Yuhao Kang, Hao Li, Sven Lautenbach, Rafael H.M. Pereira, Filip Biljecki, Marta C. Gonzalez, Rogerio Barbosa, Daniel Veloso Hirata, Christina Ludwig, Maciej Adamiak, Antônio A. de A. Rocha e Alexander Zipf
A presença de crimes e disputas territoriais em áreas urbanas impõe barreiras significativas ao acesso à educação, um direito fundamental. O estudo demonstra, através de uma metodologia inovadora que combina GeoAI e dados geoespaciais, como é possível desagregar registros criminais oficiais até o nível das ruas no município do Rio de Janeiro. Ao simular rotas conscientes do risco de crime, a pesquisa quantifica um impacto concreto: estudantes cujos caminhos mais curtos para a escola interceptam áreas de alta criminalidade são forçados a desvios que aumentam seu tempo de viagem em uma média de 48,6%. Este deslocamento, no entanto, resulta numa redução substancial da exposição ao crime, evidenciando o trade-off diário entre segurança e acessibilidade enfrentado por esses jovens.
As descobertas apoiam intervenções públicas direcionadas para melhorar o acesso escolar em regiões de conflito, destacando que tanto a aversão individual ao risco quanto as "áreas proibidas" de disputas criminosas afetam significativamente a equidade educacional. A metodologia desenvolvida, apesar dos desafios inerentes aos vieses na notificação de crimes, oferece uma ferramenta poderosa e adaptável para urbanistas e formuladores de políticas. Ela permite não apenas diagnosticar barreiras invisíveis à educação, mas também pode ser aplicada a uma ampla gama de estudos de acessibilidade urbana em diversas cidades, visando atender a diversas necessidades sociais de forma mais justa e segura.
Steffen Knoblauch é doutor em geoinformática pela Universidade de Heidelberg, mestre e bacharel em Engenharia de Produção pelo Instituto de Tecnologia de Karlsruhe. Atualmente é pesquisador de pós-doutorado e docente no Centro Interdisciplinar de Computação Científica da Universidade de Heidelberg. Ram Kumar Muthusamy é mestrando em geoinformática e análise espacial pela Universidade de Münster. Maya Moritz é doutoranda no departamento de criminologia da Universidade da Pensilvânia, mestre em economia pela Universidade de Mannheim e bacharel em economia pela Universidade de St. Andrews. Yuhao Kang é doutor em Ciência da Informação Geográfica (GIS), mestre em ciência da computação e em cartografia e ciência da informação geográfica pela Universidade de Wisconsin-Madison e bacharel em Ciência da Informação Geográfica (GIS) pela Universidade de Wuhan. et. al.
de Marcelo Vieira Ferraz, Fernando José Cavalcanti Lobo, Henrique Rajão, Jakeline Prata de Assis Pires e Richieri Antonio Sartori
A percepção dos ciclistas brasileiros sobre a infraestrutura verde das ciclovias urbanas revela uma consciência clara dos benefícios da vegetação, como a redução do calor e a criação de sombra, mas também aponta desafios significativos. Os entrevistados destacaram problemas como a redução da iluminação pública, a sujeira nas vias e, principalmente, danos ao pavimento causados pelo crescimento inadequado das raízes de algumas espécies.
O levantamento específico nas ciclovias do Rio de Janeiro identificou 30 espécies de plantas, com predominância de espécies exóticas como Terminalia catappa e Pachira aquatica. A análise mostrou que muitas das espécies utilizadas apresentam características problemáticas, como frutos grandes que podem causar acidentes, copas esparsas que oferecem pouca sombra, folhas decíduas que sujam o caminho e, sobretudo, raízes que danificam o pavimento. Esses fatores, somados à baixa cobertura vegetal efetiva sobre as ciclovias (apenas 14% da área sombreada), comprometem a funcionalidade e a segurança da infraestrutura. O estudo conclui pela necessidade de um planejamento paisagístico mais criterioso, que priorize espécies nativas adequadas, com copas densas e sistemas radiculares não agressivos, para transformar as ciclovias em corredores ecológicos verdadeiramente seguros, confortáveis e sustentáveis.
Marcelo Vieira Ferraz é doutor em Energia na Agricultura pela Universidade Estadual Paulista (campus Botucatu), e professor Assistente da mesma universidade, campus Registro. Fernando Jose Cavalcanti Lobo é Diretor Geral e um dos fundadores da ONG Transporte ativo, que promove o uso de bicicletas e modais sem motor. Henrique Bastos Rajão Reis é doutor em genética pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor assistente da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Jakeline Prata de Assis Pires é doutora em botânica pela Escola Nacional de Botânica Tropical (Instituto de Pesquisas Jardim Botânico) e professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. et. al.
de Fernanda Adães Britto, André Luis Paes Ramos, Audrey Fischer e Paula Bortolon
O trabalho de investigação mapeou as estratégias de gestão adotadas pelo município do Rio de Janeiro entre 2021 e 2024 para ampliar o acesso e a oferta de serviços especializados, destacando a diversificação dos modelos de parceria com o setor privado e o terceiro setor como resposta aos desafios acumulados do período anterior e às demandas pós-pandemia. Na Atenção Primária à Saúde (APS), a retomada do modelo de gestão por Organizações Sociais de Saúde (OSS) em todas as unidades foi acompanhada por uma recuperação significativa da cobertura populacional (de 45,98% em 2020 para 79% em 2024) e do número de equipes completas de Saúde da Família, com o apoio do Programa Mais Médicos para áreas de difícil provimento. Na atenção especializada, a contratação de Organizações da Sociedade Civil (OSC) para implantar centros de especialidades cirúrgicas em hospitais municipais resultou em um aumento de cinco vezes na oferta de cirurgias eletivas, reduzindo drasticamente os tempos de espera.
Na atenção hospitalar, dois modelos se destacaram: a Empresa Pública Municipal, que transformou o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla em um grande centro cirúrgico, responsável por cerca de um quarto das cirurgias da rede; e a Parceria Público-Privada (PPP), implementada no Hospital Municipal Souza Aguiar com o objetivo de modernizar a gestão e a infraestrutura. Os resultados positivos nos indicadores analisados, como a ampliação da oferta cirúrgica e a redução das filas, coincidem com a implementação desses arranjos de gestão. No entanto, o estudo ressalva que tais avanços não podem ser atribuídos de forma direta e exclusiva aos modelos adotados, sendo necessárias novas pesquisas para avaliar sua efetividade e impacto a longo prazo, considerando também os debates críticos sobre a terceirização e a necessidade de fortalecer mecanismos de controle, transparência e regulação para garantir o interesse público no Sistema Único de Saúde.
Fernanda Adães Brito é mestre em saúde pública pela Fundação Oswaldo Cruz e subsecretária geral da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. André Luis Paes Ramos é doutor em saúde pública pela Fundação Oswaldo Cruz e coordenador geral de contratualização, controle e auditoria da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Audrey Fischer é mestre em epidemiologia em saúde pública pela Fundação Oswaldo Cruz e servidora da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Paula Chagas Bortolon é doutora em informação e comunicação em saúde pela Fundação Oswaldo Cruz e servidora da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
Referências
BRITTO, F. A. et al.. Estratégias de gestão para ampliação do acesso e da oferta de serviços especializados no município do Rio de Janeiro, Brasil, no período de 2021 a 2024. Ciência & Saúde Coletiva, v. 30, n. 7, 2025. DOI: 10.1590/1413-81232025307.18862024
CAMPOS, Marcos L. ‘FARE MONEY’ STORIES: Transportation and Everyday Practices in the Peripheries of Rio de Janeiro. International Journal of Urban and Regional Research, [S.l.], v. 49, n. 2, p. 412-434. 2025. https://doi.org/10.1111/1468-2427.13300
CORDEIRO, Jeanne; BUARQUE, Angela; TÁBOAS, Alice. As contas de escambo do Rio de Janeiro no século XVI. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 38, n. 2, p. 36–49, 2025. DOI: 10.24885/sab.v38i2.1270.
FREITAS, Morena. Fazendo Crianças: uma iconografia das ibejadas pelos centros, lojas e fábricas do Rio de Janeiro, Brasil Etnográfica, v. 29, n. 1. p. 51-74. DOI: 10.4000/13aje
FERRAZ, M. V. et al.. Green infrastructure of Brazilian bike paths: cyclists’ perception and afforestation in Rio de Janeiro City. Ornamental Horticulture, v. 31, [S.n.], 2025. DOI: 10.1590/2447-536X.v31.e312833
FERREIRA, L. de C. A. O Rio de Janeiro em dois tempos: os planos diretores de 1977 e 1992 em perspectiva. Tempo, Rio de Janeiro, v. 31, n. 2, 2025. https://doi.org/10.1590/TEM-1980-542X2024v310210
KNOBLAUCH, S. et al. Crime-associated inequality in geographical access to education: Insights from the municipality of Rio de Janeiro. Cities. [S.l.], v. 160. 2025. DOI: 10.1016/j.cities.2025.105818
PEREIRA, Cláudia. Museu das Juventudes Cariocas: o Rio de Janeiro numa coleção virtual de histórias de vida e de artefatos midiáticos digitais. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, São Paulo, v. 33, p. 1–26, 2025. DOI: 10.11606/1982-02672025v33e30.
SANTOS, A. K, FARIAS, IF. Sexualidade e prevenção do HIV” em jogo: diálogos entre adolescentes de uma escola pública no Rio de Janeiro, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva. v. 30, n. 11. 2025. DOI: 10.1590/1413-812320253011.14002025
SANTOS, M. C. et al. Does viral circulation in slums have a global impact? The lesson learned from SARS-CoV-2 circulation in Complexo de favelas da Maré, Rio de Janeiro, Brazil. Frontiers in Microbiology v. 16, s.n. 2025. doi: 10.3389/fmicb.2025.1483895
Sobre o Autor
João Vitor P. do Amaral é o atual Assistente Editorial da Coleção Estudos Cariocas. É estudante de graduação em Jornalismo na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Possui experiência em pesquisa acadêmica como bolsista de Iniciação Científcica no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (PPGMS/UNIRIO, 2018- 2021) e na Escola de Comunicação (ECO/UFRJ, 2023-), pesquisa as áreas de memória social, narrativas midiáticas e escravidão no Séc XIX no Brasil.
Contribuições do Autor
Conceituação, [J.V.P.A.]; metodologia, [J.V.P.A.]; software [J.V.P.A.]; validação, [J.V.P.A.]; análise formal, [J.V.P.A.]; investigação, [J.V.P.A.]; recursos, [J.V.P.A.]; curadoria de dados, [J.V.P.A.]; redação—preparação do rascunho original, [J.V.P.A.]; redação—revisão e edição [J.V.P.A.]; visualização, [J.V.P.A.]; supervisão, [J.V.P.A.]; administração do projeto, [J.V.P.A.]; aquisição de financiamento, [J.V.P.A.]. Todos os autores leram e concordaram com a versão publicada do manuscrito.
Conflitos de Interesse
O autor declara não haver conflitos de interesse.
Sobre a Coleção Estudos Cariocas
A Coleção Estudos Cariocas (ISSN 1984-7203) é uma publicação de estudos e pesquisas sobre o Município do Rio de Janeiro, vinculada ao Instituto Pereira Passos (IPP) da Secretaria Municipal da Casa Civil da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Seu objetivo é divulgar a produção técnico-científica sobre temas relacionados à cidade do Rio de Janeiro, bem como sua vinculação metropolitana e em contextos regionais, nacionais e internacionais. Está aberta a quaisquer pesquisadores (sejam eles servidores municipais ou não), abrangendo áreas diversas - sempre que atendam, parcial ou integralmente, o recorte espacial da cidade do Rio de Janeiro.
Os artigos também necessitam guardar coerência com os objetivos do Instituto, a saber:
Especial ênfase será dada no tocante à articulação dos artigos à proposta de desenvolvimento econômico da cidade. Desse modo, espera-se que os artigos multidisciplinares submetidos à revista respondam às necessidades de desenvolvimento urbano do Rio de Janeiro.
/