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Volume

13

Edição

3

*Autor(a) correspondente lcteixeiracoelho@prefeitura.rio

Publicado em 20 dez 2025

Como Citar?

TEIXEIRA COELHO, L. C. Rotas, caminhos e transições na cidade do Rio de Janeiro. Coleção Estudos Cariocas, v. 13,n. 3, 2025.
DOI: 10.71256/19847203.13.3.207.2025

O artigo foi

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Rotas, caminhos e transições na Cidade do Rio de Janeiro 

Routes, paths, and transitions in the City of Rio de Janeiro

Rutas, caminos y transiciones en la Ciudad de Río de Janeiro

Luiz Carlos Teixeira Coelho1*

1Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos, R. Gago Coutinho, 52 - Laranjeiras, Rio de Janeiro- RJ, 22221-070, ORCID0000-0002-4466-9772, lcteixeiracoelho@prefeitura.rio.

Quais são os caminhos do Rio? Certamente, a metrópole carioca foi, é e será fonte de fluxos contínuos: histórias vividas e realidades justapostas que se encontram nas estradas da vida, e nas rotas da cidade. Ao fechar mais um número da Coleção Estudos Cariocas, encerrando a edição regular de segundo semestre de 2025, é possível delinear um fluxo de percursos, encontros e resgates em textos aparentemente muito distintos, mas fluindo num tema em comum: caminhos desconhecidos, encontros e histórias vividas, fluxos que servem de encontro entre realidades múltiplas cujas cartografias seguem descritas nos próximos parágrafos.

Moraes Junior (2025) resgata detalhes pouco conhecidos de um triste fato histórico: o tráfico de pessoas oriundas da África e escravizadas neste país, cujo desembarque clandestino ocorreu na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A partir da perspectiva de tais rotas ilegais, o pesquisador localiza as ruínas da Casa do Porto, local de opressão de inúmeros africanos escravizados durante os séculos XVIII e XIX. Nem todas as rotas e nem todos os transportes são desejados, ou exitosos. Entretanto, o resgate dessas histórias, e a lembrança desses eventos servem como importante memória das mazelas do passado, para que possamos entender a necessidade premente de reparação histórica e construção de uma sociedade igualitária, onde ações afirmativas são implementadas para trazer equidade racial, e a reparar os danos causados pelo legado violento da escravidão no Brasil.

Das rotas ilegais às rotas cotidianas, Rodrigues (2025) constrói uma interessante pesquisa sobre registros de viagens solicitadas no aplicativo TAXI.RIO. Usando ferramentas de geoprocessamento e análise espacial, o autor buscou entender padrões espaço-temporais das rotas de transporte por táxi no município.  Entre os achados principais, o autor verificou padrões significativamente diferentes nos dias úteis e nos fins de semana, bem como um padrão espaço-temporal de regularidade nos dias úteis, sendo que “[n]o período da manhã, essa demanda aparece localizada especificamente em áreas predominantemente residenciais, com os destinos aglomerados em torno da área central e suas adjacências”. A pesquisa referenciada no artigo apresenta passos principais de um projeto mais amplo de mapeamento dos padrões de transporte no Rio de Janeiro.

Um desses pontos centrais da cidade do Rio de Janeiro, e fundamental para o fluxo de pessoas ao longo de cerca de cinco séculos de História tem sido o Largo da Carioca (Souza et al., 2005). E este número da Coleção Estudos Cariocas nos brinda um artigo especificamente com a temática das intervenções nesse logradouro tão importante para a identidade carioca. Com foco no período compreendido pelos anos de 1940 a 1980, as autoras propõem a leitura das intervenções no Largo da Carioca a partir da visão de palimpsesto urbano, onde se sobrepõem camadas de urbanizações e planejamentos distintos no Centro do Rio de Janeiro.  

Já Ribeiro (2025) deixa as rotas terrestres e escreve sobre as rotas aéreas, mais precisamente sobre o período clássico da aviação brasileira, com um foco específico na imagem construída sobre o Rio de Janeiro nos pôsteres da Varig, entre os anos de 1950 e 1970. O autor busca engajar o leitor através de materiais visuais, compreendendo análises de paletas de cores e comparações com cartazes de outras companhias aéreas, demonstrando a construção de uma linguagem visual distinta para anunciar o Rio de Janeiro como destino turístico internacional. Nesse sentido, as rotas aéreas deixam de ser meramente um produto, e sim um desejo, tendo a comunicação visual papel relevante na consolidação do Rio de Janeiro como destino desejável e paisagem cultural. Das rotas aéreas ao objetivo turístico, a comunicação exerce papel de extrema centralidade na diferenciação da paisagem carioca.  

Salas (2025), por outro lado, não fala de rotas, mas de um destino: a Praia do Flamengo. Em seu artigo, tece involuções e melhoramentos que levaram à atual condição de balneabilidade da praia, fato inédito nas últimas décadas. A análise revela dois momentos distintos de melhoria na balneabilidade: um durante os Jogos Olímpicos Rio 2016, e outro, a partir de 2022. Este último está vinculado à obra de desvio da foz do Rio Carioca para o emissário da Zona Sul, uma ação concretizada no contexto das mudanças regulatórias do novo Marco Legal do Saneamento Básico.

Essa discussão se alinha com artigo de opinião escrito pelo Dr. Waldir Peres, com foco no saneamento ambiental da Região Metropolitana do Rio de Janeiro - RMRJ (Peres, 2025). Seu artigo analisa criticamente os avanços recentes do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado (PEDUI/RMRJ) no saneamento ambiental, com base em dados empíricos sobre a execução de seus planos setoriais: desde obras de CTS até projetos de macrodrenagem. Ao identificar conquistas significativas, também discute os desafios estruturais que persistem e as perspectivas para a universalização dos serviços até 2033.

Junta-se a esses artigos mais uma versão da curadoria e análise crítica de publicações sobre o Rio de Janeiro, elaborada por Amaral (2025). Nela, busca-se resumir alguns artigos interessantes e multidisciplinares recém-publicados, de modo a ampliar o debate diverso sobre o Rio de Janeiro também para o trabalho de outros pesquisadores que têm escrito sobre a cidade. Este número é contemplado por temas pertinentes e trabalhos criativos e relevantes. Espera-se que os mesmos sejam pontos de partida para pesquisas mais profundas, colocando em evidência as necessidades e desafios do desenvolvimento carioca. Desejo uma excelente leitura!

Referências

AMARAL, João Vitor P. do. Curadoria e análise crítica: revisão de seleção da produçãoacadêmica recente sobre o Rio de Janeiro (2025.2). Coleção Estudos Cariocas, v. 13, n. 3, 2025. DOI: 10.71256/19847203.13.3.206.2025.

MORAES JUNIOR, Flávio José. Patrimônio invisibilizado: escravidão, tráfico ilegal e a urgência de tombamento da Casa do Porto na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Coleção Estudos Cariocas, v. 13, n. 3, 2025. DOI: 10.71256/19847203.13.3.140.2025.

PERES, W. R. Saneamento ambiental na Região Metropolitana do Rio de Janeiro: uma análise crítica dos avanços, desafios e perspectivas rumo à universalização. Coleção Estudos Cariocas, v.13, n.3, 2025. DOI: 10.71256/19847203.13.3.177.2025

RIBEIRO, Luiz Marcello Gomes. Iconografias de um desejo - o Rio descoberto nas asas da Imagem: representações visuais e prenúncio da paisagem cultural carioca nos cartazes da Varig (1950–1970). Coleção Estudos Cariocas, v.13, n.3, 2025. DOI: 10.71256/19847203.13.3.160.2025.

RODRIGUES, J. M.Mobilidade cotidiana por táxi na Cidade do Rio de Janeiro: explorando o padrão espaço-temporal das viagens no aplicativo TAXI.RIO. Coleção Estudos Cariocas, v. 13, n. 3, 2025. DOI: 10.71256/19847203.13.3.146.2025.

SALAS, Alejandro C. V. Histórico da balneabilidade e conflitos atuais na Praia do Flamengo. Coleção Estudos Cariocas, v.13, n.3, 2025. DOI: 10.71256/19847203.13.3.167.2025.

SOUZA, E. M. S. et al. O Largo da Carioca e a cidade reescrita: intervenções urbanas entre 1940 e 1980. Coleção Estudos Cariocas, v. 13, n. 3, 2025. DOI: 10.71256/19847203.13.3.155.2025.

Sobre o Autor

Dr. Coelho é o atual editor da Coleção Estudos Cariocas. É Engenheiro Cartógrafo (Instituto Militar de Engenharia), Mestre em Informática (Universidade Federal do Amazonas), Doutor em Planejamento Urbano e Regional (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e licenciado em Matemática e Geografia. É servidor público nas esferas municipal e estadual, enquanto pesquisador do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos (IPP) e professor adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.  Além disso, é pesquisador associado do Senseable City Lab, Massachusetts Institute of Technology e docente colaborador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Urbana, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nesse campo, seus principais interesses são Processamento Digital de Imagens de Sensores Remotos (para aplicações em Fotogrametria e Análise de Imagens), Modelagem Digital de Superfícies e Cadastro Multifinalitário. Em paralelo à formação acadêmica em engenharia e geociências, possui Bacharelado em Teologia (SETEK, convalidado pela FUV) e Doutorado em Liturgia (Sewanee: the University of the South). Nascido no Brasil,também é cidadão português e espanhol, e membro da ACEBRA (Asociación de Científicos Españoles en Brasil).  Grafias alternativas:  Luiz Carlos Teixeira Coelho ou Luis Carlos Teixeira Coelho. Website: www.teixeiracoelho.com

Contribuições do Autor

Conceituação, L.C.T.C.; metodologia, L.C.T.C.; software L.C.T.C.; validação, L.C.T.C.; análiseformal, L.C.T.C.; investigação, L.C.T.C.; recursos, L.C.T.C.; curadoria de dados, L.C.T.C.;redação—preparação do rascunho original, L.C.T.C.; redação—revisão e edição L.C.T.C.;visualização, L.C.T.C.; supervisão, L.C.T.C.; administração do projeto, L.C.T.C.; aquisiçãode financiamento, L.C.T.C.. Todos os autores leram e concordaram com a versão publicadado manuscrito.

Conflitos de Interesse

O autor declara não haver conflitos de interesse.

Sobre a Coleção Estudos Cariocas

A Coleção Estudos Cariocas (ISSN 1984-7203) é uma publicação de estudos e pesquisas sobre o Município do Rio de Janeiro, vinculada ao Instituto Pereira Passos (IPP) da Secretaria Municipal da Casa Civil da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Seu objetivo é divulgar a produção técnico-científica sobre temas relacionados à cidade do Rio de Janeiro, bem como sua vinculação metropolitana e em contextos regionais, nacionais e internacionais. Está aberta a quaisquer pesquisadores (sejam eles servidores municipais ou não), abrangendo áreas diversas - sempre que atendam, parcial ou integralmente, o recorte espacial da cidade do Rio de Janeiro.

Os artigos também necessitam guardar coerência com os objetivos do Instituto, a saber:

  1. Promover e coordenar a intervenção pública sobre o espaço urbano do Município;
  2. Prover e integrar as atividades do sistema de informações geográficas, cartográficas, monográficas e dados estatísticos da Cidade;
  3. Subsidiar a fixação das diretrizes básicas ao desenvolvimento socioeconômico do Município.

Especial ênfase será dada no tocante à articulação dos artigos à proposta de desenvolvimento econômico da cidade. Desse modo, espera-se que os artigos multidisciplinares submetidos à revista respondam às necessidades de desenvolvimento urbano do Rio de Janeiro.

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