Volume

14

Edição

2

*Autor(a) correspondente prof.diego.ramos@soulasalle.com.br

Submetido em 16 abr 2026

Aceito em 24 jun 2026

Publicado em 30 jun 2026

Como Citar?

RAMOS, D. M. S.; SORIANO, L. S. Da dor à catarse urbana: pandemias, carnaval e os desafios contemporâneos da saúde no Rio de Janeiro. Coleção Estudos Cariocas, v. 14, n. 2, 2026.
DOI: 10.71256/19847203.14.2.224.2026

O artigo foi originalmente

submetido em PORTUGUÊS.

As traduções para

outros idiomas foram

revisadas e validadas

pelos autores e pela

equipe editorial. No entanto, para a representação mais

precisa do tema abordado, recomenda-se que os leitores consultem o artigo em seu idioma original.

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Da dor à catarse urbana: pandemias, carnaval e os desafios contemporâneos da saúde no Rio de Janeiro

From pain to urban catharsis: pandemics, carnival, and contemporary public health challenges in Rio de Janeiro

Del dolor a la catarsis urbana: pandemias, carnaval y los desafíos contemporáneos de la salud en Río de Janeiro

Diego Marques dos Santos Ramos1 e Lucas Souza Soriano2 

1Centro Universitário UNILASALLE-RJ, Rua Gastao Gonçalves, 79 – Santa Rosa, Niterói (RJ), ORCID: 0009-0003-1229-3170, prof.diego.ramos@soulasalle.com.br

2Centro Universitário UNILASALLE-RJ, Rua Gastao Gonçalves, 79 – Santa Rosa, Niterói (RJ),  ORCID: 0009-0005-0038-9735, lucas.soriano@soulasalle.com.br

Resumo

O artigo analisa o Carnaval carioca como fenômeno urbano, cultural e sanitário, tomando o Carnaval de 1919, após a Gripe Espanhola, como eixo histórico-comparativo para compreender os desafios contemporâneos da gestão de megaeventos no Rio de Janeiro pós-COVID-19. A pesquisa qualitativa, documental e histórico-comparativa articula revisão narrativa, fontes históricas, documentos institucionais e dados públicos. Sustenta-se que o Carnaval atua como catarse coletiva, reocupação do espaço público e recomposição simbólica da vida urbana, mas também intensifica vulnerabilidades sanitárias. Dialogando com Lefebvre, Foucault e Milton Santos, demonstra-se que o risco sanitário decorre das desigualdades, mobilidades precárias, moradia e governança, propondo diretrizes urbano-sanitárias para megaeventos.

Palavras-chave:         carnaval carioca; saúde urbana; megaeventos.

Abstract

This article analyzes Rio de Janeiro’s Carnival as an urban, cultural, and public health phenomenon, using the 1919 Carnival, held after the Spanish Flu crisis, as a historical-comparative framework to understand contemporary challenges in managing mega-events in post-COVID-19 Rio de Janeiro. The qualitative, documentary, and historical-comparative research combines narrative literature review, historical sources, institutional documents, and public data. The study argues that Carnival operates simultaneously as collective catharsis, reoccupation of public space, and symbolic recomposition of urban life, while also intensifying health vulnerabilities. Drawing on Henri Lefebvre, Michel Foucault, and Milton Santos, the article demonstrates that health risks are shaped by inequality, precarious mobility, housing conditions, and governance, proposing urban-health guidelines for mega-events.

Keywords:         Rio de Janeiro carnival; urban health; mega-events.

Resumen

El artículo analiza el Carnaval carioca como fenómeno urbano, cultural y sanitario, tomando el Carnaval de 1919, realizado después de la crisis de la Gripe Española, como eje histórico-comparativo para comprender los desafíos contemporáneos de la gestión de megaeventos en Río de Janeiro en el contexto posterior a la COVID-19. La investigación, de carácter cualitativo, documental e histórico-comparativo, articula revisión narrativa, fuentes históricas, documentos institucionales y datos públicos. Se sostiene que el Carnaval funciona simultáneamente como catarsis colectiva, reocupación del espacio público y recomposición simbólica de la vida urbana, pero también intensifica vulnerabilidades sanitarias. A partir de Lefebvre, Foucault y Milton Santos, se demuestra que el riesgo sanitario está mediado por desigualdades, movilidad precaria, vivienda y gobernanza, proponiendo directrices urbano-sanitarias para megaeventos.

Palabras clave:         carnaval de Río; salud urbana; megaeventos.


1  Introdução

A cidade do Rio de Janeiro constitui um espaço privilegiado para a análise das relações entre saúde pública, cultura e forma urbana, na medida em que condensa, em sua trajetória histórica, processos complexos de urbanização, desigualdade socioespacial e intensa produção simbólica. Nesse contexto, crises sanitárias não se configuram apenas como eventos biológicos, mas como fenômenos profundamente enraizados nas dinâmicas territoriais e nas formas de organização da vida urbana.

A experiência da Gripe Espanhola, ao atingir o Rio de Janeiro no início do século XX, revelou de maneira contundente as fragilidades estruturais da cidade, evidenciando a relação direta entre densidade urbana, precariedade habitacional e propagação de doenças. Mais de um século depois, a Pandemia de COVID-19 reatualiza essas tensões em um contexto de metropolização avançada, intensificação dos fluxos e ampliação das desigualdades, recolocando no centro do debate a necessidade de compreender a saúde como uma dimensão intrinsecamente vinculada à produção do espaço urbano.

É nesse cenário que o Carnaval carioca — especialmente o emblemático Carnaval de 1919 — se apresenta como um objeto privilegiado de investigação. Longe de ser compreendido apenas como manifestação festiva, o evento pode ser interpretado como um dispositivo urbano e cultural complexo, no qual se articulam processos de reocupação do espaço público, elaboração coletiva do trauma e reafirmação simbólica da vida. Ao mesmo tempo, em sua dimensão contemporânea, o Carnaval se configura como um megaevento capaz de intensificar fluxos, densidades e interações sociais, tornando-se também um potencial vetor de amplificação de riscos sanitários.

Dessa forma, o presente artigo tem como tema central a relação entre pandemias, megaeventos e saúde urbana no Rio de Janeiro, a partir de uma abordagem histórico-comparativa entre diferentes contextos pandêmicos e suas manifestações culturais associadas.

O objetivo geral da pesquisa consiste em analisar o Carnaval carioca — com ênfase no ano de 1919 — como resposta socioespacial à crise sanitária da Gripe Espanhola, estabelecendo um paralelo teórico com a experiência recente da pandemia de COVID-19, de modo a compreender os desafios contemporâneos da gestão de eventos de massa em contextos urbanos complexos.

Como objetivos específicos, destacam-se:

  1. Compreender os impactos da Gripe Espanhola na organização socioespacial do Rio de Janeiro;
  2. Analisar o Carnaval de 1919 como manifestação de catarse coletiva e reocupação do espaço urbano;
  3. Estabelecer relações entre a experiência histórica de 1919 e a pandemia de COVID-19;
  4. Discutir o papel dos megaeventos na intensificação de fluxos urbanos e riscos sanitários;
  5. Propor diretrizes para a gestão de eventos de massa em contextos metropolitanos.

A pesquisa é orientada pela seguinte questão central: de que maneira eventos culturais de grande escala, como o Carnaval, podem atuar simultaneamente como dispositivos de resiliência social e como amplificadores de vulnerabilidades sanitárias em contextos urbanos desiguais?

Parte-se da hipótese de que a propagação de doenças em contextos pandêmicos não ocorre de forma aleatória, mas é profundamente condicionada pela estrutura socioespacial da cidade, sendo os megaeventos momentos críticos de intensificação dessas dinâmicas, ao mesmo tempo em que funcionam como mecanismos simbólicos de reconstrução coletiva.

Do ponto de vista teórico, o trabalho fundamenta-se na articulação entre diferentes campos do conhecimento. A noção de produção do espaço, desenvolvida por Henri Lefebvre, permite compreender o espaço urbano como resultado de relações sociais, políticas e econômicas. A perspectiva da biopolítica, proposta por Michel Foucault, contribui para a análise das estratégias de gestão da vida e dos corpos em contextos de crise sanitária. Já a leitura socioespacial de Milton Santos possibilita compreender as desigualdades territoriais como elementos centrais na distribuição dos riscos e vulnerabilidades.

Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e analítico, baseada em revisão bibliográfica, análise histórica e interpretação crítica de fontes secundárias. O estudo se estrutura a partir de uma perspectiva histórico-comparativa, articulando diferentes temporalidades — 1918–1919 e 2020–2023 — de modo a identificar permanências, rupturas e reconfigurações nas relações entre cidade, saúde e cultura.

Por fim, o artigo pretende contribuir para o campo dos estudos urbanos e da saúde pública ao evidenciar a necessidade de abordagens integradas que considerem simultaneamente dimensões espaciais, sociais e culturais. Espera-se que os resultados apontem para a importância de repensar a gestão de megaeventos em cidades contemporâneas, incorporando estratégias que articulem planejamento urbano, justiça socioespacial e proteção sanitária, especialmente em contextos metropolitanos marcados por desigualdade e alta complexidade.

2  A cidade pandêmica: a Gripe Espanhola e o colapso socioespacial do Rio de Janeiro

2.1  Circulação global, doença e território: a chegada da pandemia

O surto da Gripe Espanhola, inicialmente registrado na Europa em 1918, configurou-se como uma das crises sanitárias mais devastadoras da história contemporânea. Sua rápida disseminação esteve diretamente associada à intensificação dos fluxos internacionais no contexto da Primeira Guerra Mundial, transformando a doença em um fenômeno global impulsionado pela mobilidade humana.

A circulação de tropas, mercadorias e navios converteu-se em vetor privilegiado de propagação, evidenciando o papel das redes de transporte na difusão de epidemias. Nesse sentido, a doença pode ser compreendida como uma expressão daquilo que Milton Santos denomina de articulação entre técnica, território e circulação, na qual os fluxos — ao mesmo tempo que conectam — também potencializam vulnerabilidades.

Ao atingir o Rio de Janeiro, então capital federal e principal porto do país, a pandemia encontrou um ambiente urbano altamente propício à sua disseminação. A cidade, inserida em circuitos internacionais e marcada por intensa densidade populacional, tornou-se rapidamente um dos principais epicentros da doença no Brasil.

2.2  Forma urbana, desigualdade e vulnerabilidade epidemiológica

A propagação da gripe espanhola no Rio de Janeiro não ocorreu de maneira homogênea, mas seguiu a lógica da organização socioespacial da cidade. Áreas com maior densidade habitacional, precariedade de infraestrutura e condições sanitárias inadequadas apresentaram maior incidência da doença, evidenciando a relação direta entre forma urbana e vulnerabilidade epidemiológica.

Cortiços superlotados, ausência de saneamento básico e ventilação insuficiente constituíam fatores determinantes para a rápida transmissão do vírus. A cidade, nesse contexto, operava como um verdadeiro amplificador da doença, na medida em que suas próprias condições materiais favoreciam a circulação do contágio.

Essa leitura dialoga com a noção de produção do espaço proposta por Henri Lefebvre, segundo a qual o espaço urbano não é neutro, mas produzido socialmente, refletindo relações de poder, desigualdade e exclusão. Assim, a epidemia não pode ser compreendida isoladamente, mas como parte de um sistema urbano que distribui desigualmente riscos e exposições.

2.3  Colapso urbano e crise da governança sanitária

A rápida disseminação da doença levou ao colapso dos serviços públicos e à desorganização da vida urbana. Hospitais lotados, escassez de profissionais de saúde e ausência de respostas eficazes por parte do Estado produziram um cenário de crise generalizada, no qual a cidade parecia perder sua capacidade de funcionamento.

Como destacado em sua versão original, o cotidiano carioca foi profundamente alterado: escolas, comércios e instituições foram fechados, enquanto o medo da contaminação esvaziava as ruas e reorganizava as práticas sociais. A cidade, tradicionalmente marcada pela intensidade de suas interações, mergulhou em um estado de retração e silêncio.

Sob a perspectiva da biopolítica, conforme desenvolvida por Michel Foucault, esse momento revela os limites das estratégias de controle da vida por parte do Estado. A incapacidade de gerir a crise expõe não apenas uma fragilidade institucional, mas também a desigual distribuição da proteção, na qual determinados corpos e territórios se tornam mais vulneráveis que outros.

2.4  Entre o medo e a reinvenção: práticas sociais e respostas coletivas

Diante do colapso institucional e da ausência de respostas eficazes, a população carioca desenvolveu estratégias próprias de enfrentamento da crise. Como você já aponta, práticas populares, soluções improvisadas e redes de solidariedade emergiram como formas de resistência cotidiana.

Receitas caseiras, práticas religiosas e ações comunitárias passaram a integrar o repertório de enfrentamento da doença, evidenciando a capacidade de adaptação social diante da adversidade. Nesse contexto, a crise sanitária não apenas produziu sofrimento, mas também fortaleceu vínculos sociais e formas alternativas de cuidado.

Tal dinâmica permite compreender a cidade como um espaço de reinvenção permanente, no qual, mesmo em situações extremas, emergem práticas que reconfiguram o cotidiano e produzem novas formas de sociabilidade.

2.5  Permanências e reatualizações: da Gripe Espanhola à COVID-19

A análise da gripe espanhola no Rio de Janeiro permite identificar padrões que se mantêm, sob novas formas, na contemporaneidade. A Pandemia de COVID-19 revelou, novamente, a centralidade da forma urbana na propagação de doenças, bem como a persistência de desigualdades socioespaciais que condicionam o acesso à proteção e ao cuidado.

Assim como em 1918–1919, territórios mais vulneráveis foram desproporcionalmente afetados, evidenciando que, apesar dos avanços tecnológicos e científicos, as estruturas urbanas continuam desempenhando papel determinante na configuração das crises sanitárias.

Dessa forma, a compreensão da cidade pandêmica exige uma abordagem integrada, capaz de articular dimensões históricas, espaciais e sociais, reconhecendo que epidemias são, também, fenômenos urbanos.

3  Carnaval de 1919: catarse coletiva e reocupação da cidade

3.1  Do luto à festa: a emergência da catarse urbana

Após meses de retração social, medo e luto provocados pela Gripe Espanhola, o Carnaval de 1919 emergiu como um dos episódios mais emblemáticos da história do Rio de Janeiro. Como já destacado em sua análise, a cidade, profundamente abalada pela experiência da morte em larga escala, encontrou na festa um mecanismo de elaboração coletiva do trauma.

Frequentemente descrito como um dos carnavais mais vibrantes da história carioca, o evento ultrapassa a dimensão festiva e pode ser interpretado como uma forma de catarse coletiva, na qual emoções reprimidas — medo, dor, perda — são transformadas em expressão pública de alegria, movimento e vida.

No entanto, para além de sua dimensão psicológica ou simbólica, essa catarse pode ser compreendida como um fenômeno socioespacial, no qual a cidade torna-se palco e agente de um processo de reativação da vida urbana.

3.2  Reocupação do espaço público e produção da vida urbana

O Carnaval de 1919 representou um movimento intenso de reocupação do espaço público. Ruas, praças e avenidas — anteriormente marcadas pelo silêncio e pela presença da morte — foram novamente preenchidas por corpos, sons e fluxos.

Essa dinâmica pode ser analisada a partir da noção de produção do espaço, formulada por Henri Lefebvre, segundo a qual o espaço urbano é constantemente (re)produzido pelas práticas sociais. Nesse sentido, o Carnaval não apenas ocorre na cidade, mas reconfigura a própria cidade, alterando temporariamente seus usos, significados e dinâmicas.

A ocupação coletiva das ruas após a pandemia pode ser interpretada como um ato de reinscrição da vida no território, no qual a população retoma o controle simbólico do espaço urbano. A cidade, que havia sido convertida em cenário de crise, doença e morte, é transformada em território de celebração e reconstrução.

3.3  Corpo, presença e resistência: uma leitura biopolítica

A centralidade dos corpos na experiência carnavalesca permite uma leitura à luz da biopolítica, conforme desenvolvida por Michel Foucault. Em contextos pandêmicos, o corpo torna-se objeto de controle, vigilância e regulação, sendo submetido a normas sanitárias e restrições de circulação.

Nesse sentido, o Carnaval de 1919 pode ser interpretado como um momento de inflexão, no qual os corpos retornam ao espaço público em uma lógica que tensiona — e, em certa medida, subverte — os dispositivos de controle instaurados durante a crise sanitária.

A presença massiva de corpos nas ruas, dançando, cantando e interagindo, constitui uma forma de afirmação da vida diante da morte, um gesto coletivo que reconfigura as relações entre indivíduo, sociedade e espaço. Trata-se, portanto, de uma prática que articula resistência simbólica e reapropriação do urbano.

3.4  Cultura popular e resiliência: a construção do imaginário carioca

Como você já desenvolve com muita força , o Carnaval de 1919 não foi apenas um evento pontual, mas um marco na consolidação da cultura popular como espaço de resiliência social.

A festa operou como um mecanismo de reconstrução simbólica, permitindo que a população elaborasse coletivamente o trauma da pandemia. Nesse processo, elementos culturais — música, dança, fantasia, ocupação das ruas — tornaram-se instrumentos de transformação da dor em expressão estética e social.

Essa dinâmica contribuiu para a consolidação do imaginário do Rio de Janeiro como cidade festiva, na qual a alegria não representa a ausência de sofrimento, mas a capacidade de transformá-lo. Tal perspectiva dialoga com a leitura socioespacial de Milton Santos, ao evidenciar que o espaço urbano é também um espaço de experiências, afetos e práticas cotidianas.

3.5  O Carnaval como dispositivo urbano: entre vida, risco e intensidade

A análise do Carnaval de 1919 permite compreender o evento como um verdadeiro dispositivo urbano, no qual se articulam múltiplas dimensões:

Essa leitura é fundamental para estabelecer o paralelo com a contemporaneidade. Se, por um lado, o Carnaval opera como espaço de resiliência e reconstrução, por outro, ele também concentra condições propícias à disseminação de doenças, especialmente em contextos de alta densidade e intensa mobilidade.

Nesse sentido, o evento revela uma tensão constitutiva entre:

Tal tensão, observada de forma embrionária em 1919, torna-se central na análise dos megaeventos contemporâneos, especialmente no contexto pós-Pandemia de COVID-19.

4  Covid-19 e o carnaval contemporâneo: entre a retomada da vida e a gestão do risco

4.1  A pandemia contemporânea e a suspensão da festa

A eclosão da Pandemia de COVID-19 impôs uma ruptura significativa nas dinâmicas urbanas contemporâneas, reconfigurando práticas sociais, padrões de mobilidade e formas de ocupação do espaço público. No Rio de Janeiro, cidade historicamente marcada pela intensidade de suas interações coletivas, essa ruptura tornou-se particularmente visível na suspensão do Carnaval nos anos de 2021 e 2022.

Diferentemente do cenário de 1919, no qual a festa emergiu como resposta imediata ao trauma da Gripe Espanhola, o contexto contemporâneo foi marcado por estratégias institucionais mais estruturadas de controle sanitário, incluindo medidas de distanciamento social, restrições à circulação e cancelamento de eventos de grande porte. Nesse sentido, a ausência do Carnaval não representou apenas a interrupção de uma tradição cultural, mas a suspensão temporária de um dos principais dispositivos de produção da vida urbana carioca.

A cidade, novamente, experimentou um esvaziamento simbólico e material de seus espaços públicos, retomando, sob novas condições, a experiência do silêncio e da retração social.

4.2  Retomada, desejo coletivo e intensificação dos fluxos urbanos

Com o avanço da vacinação e a redução dos índices de contágio, a retomada do Carnaval reativou dinâmicas urbanas intensas, evidenciando um forte desejo coletivo de reocupação do espaço público. Assim como em 1919, observou-se um movimento de retorno à festa marcado por uma necessidade de reconexão social, celebração e reconstrução simbólica da vida.

No entanto, diferentemente do contexto histórico anterior, o Carnaval contemporâneo ocorre em uma metrópole profundamente transformada, caracterizada por:

Essa configuração potencializa exponencialmente a capacidade de circulação — não apenas de pessoas, mas também de agentes patogênicos — tornando os megaeventos momentos críticos do ponto de vista epidemiológico.

4.3  Megaeventos e complexidade urbana: o desafio da governança

O Carnaval do Rio de Janeiro, em sua dimensão contemporânea, configura-se como um dos maiores eventos de massa do mundo, mobilizando milhões de pessoas em diferentes escalas territoriais. Trata-se de um fenômeno que ultrapassa a lógica da festa e se insere no campo da governança urbana, exigindo articulação entre múltiplos agentes e sistemas.

Sob essa perspectiva, o evento pode ser compreendido como um sistema complexo, no qual se articulam:

A gestão de tais dinâmicas torna-se particularmente desafiadora em contextos pandêmicos, nos quais a necessidade de controle sanitário entra em tensão com a natureza aberta, difusa e espontânea da festa, especialmente no caso dos blocos de rua.

4.4  Entre controle e liberdade: tensões biopolíticas no espaço festivo

A realização do Carnaval em contextos pós-pandêmicos explicita tensões centrais entre controle institucional e liberdade coletiva. A necessidade de monitoramento sanitário, regulação de fluxos e prevenção de riscos entra em conflito com a própria lógica da festa, baseada na espontaneidade, na ocupação livre do espaço e na interação social intensa.

Essa tensão pode ser analisada à luz da biopolítica, conforme proposta por Michel Foucault, na qual o poder se exerce sobre a gestão da vida, regulando corpos, deslocamentos e comportamentos. No contexto carnavalesco, tais mecanismos encontram limites práticos e simbólicos, evidenciando a dificuldade de aplicação de estratégias de controle em ambientes caracterizados pela fluidez e pela imprevisibilidade.

Assim, o Carnaval contemporâneo revela um campo de disputa entre diferentes racionalidades: sanitária, econômica, cultural e política.

4.5  Permanências e rupturas: entre 1919 e o século XXI

A comparação entre o Carnaval de 1919 e o cenário contemporâneo permite identificar tanto permanências quanto rupturas. Em ambos os contextos, observa-se:

Entretanto, as diferenças são igualmente significativas. Enquanto o Carnaval de 1919 ocorreu em uma cidade ainda em processo de consolidação urbana, o evento contemporâneo se insere em uma metrópole globalizada, altamente conectada e estruturalmente desigual.

Essa condição amplia os desafios da gestão urbana e sanitária, exigindo abordagens mais complexas e integradas. Se, no passado, a festa representava principalmente a retomada da vida, no presente ela se configura também como um ponto crítico de articulação entre risco, controle e liberdade.

4.6  O Carnaval como laboratório urbano contemporâneo

A partir dessas considerações, o Carnaval pode ser compreendido como um verdadeiro laboratório urbano, no qual se manifestam, de forma intensificada, as dinâmicas estruturais da cidade. Nele, tornam-se visíveis:

Essa leitura permite deslocar o debate do campo exclusivamente cultural para uma perspectiva mais ampla, na qual o evento é analisado como parte integrante das dinâmicas urbanas contemporâneas.

Assim, compreender o Carnaval no contexto pós-Pandemia de COVID-19 implica reconhecer sua complexidade e a necessidade de abordagens que articulem planejamento urbano, políticas públicas e práticas culturais.

5  Diretrizes para a gestão de megaeventos e saúde urbana

5.1 Planejamento urbano-sanitário integrado

A análise histórico-comparativa entre a Gripe Espanhola e a Pandemia de COVID-19 evidencia que a gestão de crises sanitárias em ambientes urbanos não pode ser dissociada do planejamento territorial. Nesse sentido, a organização de megaeventos como o Carnaval exige a construção de estratégias integradas, capazes de articular saúde pública, mobilidade urbana e uso do espaço.

O planejamento urbano-sanitário deve considerar não apenas a infraestrutura existente, mas também a dinâmica temporária de intensificação dos fluxos, antecipando cenários de risco e definindo zonas de maior vulnerabilidade. Trata-se de reconhecer o evento como um fenômeno espacial, cuja gestão depende da compreensão da cidade em sua totalidade.

5.2  Inteligência territorial, monitoramento e infraestrutura de saúde

A complexidade dos megaeventos contemporâneos demanda o uso de instrumentos de monitoramento capazes de mapear, em tempo real, os deslocamentos e concentrações populacionais. A incorporação de tecnologias digitais e sistemas de informação geográfica permite identificar padrões de mobilidade e antecipar pontos críticos de aglomeração.

Essa abordagem dialoga com a perspectiva de Milton Santos, ao evidenciar o papel das técnicas na organização do espaço. No contexto do Carnaval, a inteligência territorial torna-se ferramenta fundamental para a tomada de decisões, possibilitando intervenções mais precisas e eficazes na gestão dos riscos sanitários.

Diante da intensificação temporária da demanda por serviços, a criação de estruturas provisórias de atendimento torna-se essencial. Postos móveis de saúde, equipes de resposta rápida e pontos de triagem distribuídos estrategicamente no território contribuem para reduzir a sobrecarga do sistema formal e ampliar a capacidade de resposta.

A descentralização do atendimento permite aproximar os serviços das áreas de maior concentração, reduzindo tempos de resposta e ampliando a eficiência das intervenções. Essa estratégia reconhece o caráter dinâmico e mutável do evento, adaptando a infraestrutura às suas especificidades.

5.3  Comunicação pública, governança metropolitana e articulação institucional

A eficácia das medidas sanitárias em contextos festivos depende, em grande medida, da capacidade de comunicação com a população. Campanhas informativas devem ser adaptadas à linguagem e à dinâmica cultural do evento, incorporando elementos simbólicos que dialoguem com o público.

A participação de blocos, escolas de samba e agentes culturais pode potencializar a disseminação de informações, transformando a própria cultura em vetor de conscientização. Nesse sentido, a comunicação deixa de ser apenas informativa e passa a atuar como estratégia de mobilização social.

O Carnaval do Rio de Janeiro ultrapassa os limites administrativos do município, mobilizando fluxos que envolvem toda a Região Metropolitana. Dessa forma, sua gestão exige coordenação entre diferentes níveis de governo e instituições.

A ausência de articulação pode comprometer a eficácia das estratégias adotadas, especialmente no que se refere ao controle de fluxos intermunicipais e à distribuição de recursos. Assim, a construção de uma governança metropolitana integrada torna-se condição fundamental para a gestão de eventos de grande escala.

5.4  Justiça socioespacial e o Carnaval como laboratório de planejamento urbano

A análise das pandemias evidencia que os impactos das crises sanitárias são distribuídos de forma desigual, afetando de maneira mais intensa populações que vivem em condições precárias. No contexto dos megaeventos, essa desigualdade tende a se acentuar, na medida em que territórios vulneráveis apresentam menor capacidade de resposta.

Nesse sentido, a gestão de eventos deve incorporar a perspectiva da justiça socioespacial, priorizando ações em áreas mais suscetíveis e ampliando o acesso a serviços de saúde e infraestrutura. Tal abordagem reconhece que a proteção coletiva depende, necessariamente, da redução das desigualdades.

A partir das diretrizes apresentadas, é possível compreender o Carnaval não apenas como um evento a ser gerido, mas como um dispositivo estratégico para o próprio planejamento urbano. Ao concentrar e intensificar dinâmicas da cidade, o evento revela fragilidades, potencialidades e padrões de funcionamento que, muitas vezes, permanecem invisíveis no cotidiano.

Essa perspectiva permite transformar o Carnaval em uma ferramenta analítica e operacional, capaz de informar políticas públicas e orientar intervenções urbanas mais amplas. Assim, o evento deixa de ser visto apenas como desafio e passa a ser reconhecido como oportunidade de aprimoramento da gestão urbana.

As recomendações discutidas ao longo desta seção foram sistematizadas na Figura 1, que apresenta as principais diretrizes, objetivos, atores envolvidos e estratégias de implementação para a gestão urbano-sanitária de megaeventos em contextos metropolitanos.

Figura 1 – Diretrizes urbano-sanitárias para a gestão de megaeventos em contextos metropolitanos.

Fonte: elaborado pelo autor (2026).

6  Considerações finais

A análise desenvolvida ao longo deste artigo permitiu compreender que as pandemias constituem fenômenos simultaneamente biológicos, sociais e espaciais, cuja manifestação e impacto estão profundamente condicionados pelas estruturas urbanas. A comparação entre a Gripe Espanhola de 1918–1919 e a Pandemia de COVID-19 evidenciou permanências significativas na relação entre desigualdade territorial, mobilidade, vulnerabilidade social e disseminação de doenças, demonstrando que os riscos sanitários são produzidos e distribuídos de forma desigual no espaço urbano.

A investigação do Carnaval carioca, em particular do emblemático Carnaval de 1919, revelou a relevância das manifestações culturais como mecanismos de reconstrução simbólica da vida coletiva após períodos de crise. Mais do que uma celebração popular, o Carnaval mostrou-se um dispositivo urbano complexo, capaz de fortalecer vínculos coletivos e produzir formas de reconstrução simbólica da vida urbana.

A hipótese que orientou este estudo foi confirmada: a propagação de doenças não decorre exclusivamente da concentração populacional ou da realização de grandes eventos, mas resulta da articulação entre condições de moradia, desigualdades socioespaciais, sistemas de mobilidade, acesso à infraestrutura urbana e capacidade institucional de governança. Nesse sentido, os megaeventos funcionam como momentos de intensificação de dinâmicas já presentes na cidade, tornando mais visíveis tanto suas potencialidades quanto suas fragilidades.

Do ponto de vista teórico, o trabalho contribui para o diálogo entre os estudos urbanos, a saúde pública e a análise cultural ao articular as contribuições de Henri Lefebvre, Michel Foucault e Milton Santos. Tal aproximação permitiu compreender o Carnaval não apenas como manifestação cultural, mas como expressão das relações entre produção do espaço, gestão da vida e desigualdades territoriais, ampliando a compreensão das conexões entre cultura, cidade e saúde.

Em termos práticos, as diretrizes urbano-sanitárias propostas reforçam a necessidade de estratégias integradas para a gestão de megaeventos, baseadas em planejamento territorial, inteligência de dados, fortalecimento da infraestrutura de saúde, governança metropolitana e redução das vulnerabilidades socioespaciais. Mais do que responder a futuras crises sanitárias, tais medidas contribuem para a construção de cidades mais resilientes, inclusivas e preparadas para lidar com contextos de elevada complexidade urbana.

Cabe reconhecer, contudo, algumas limitações da pesquisa. O estudo possui caráter predominantemente qualitativo e histórico-comparativo, fundamentando-se em revisão bibliográfica, análise documental e interpretação crítica de fontes secundárias. A ausência de levantamentos empíricos, entrevistas com gestores públicos, organizadores ou participantes do Carnaval contemporâneo limita a possibilidade de aprofundar determinadas dimensões operacionais e perceptivas associadas à gestão dos riscos sanitários.

Como desdobramento, pesquisas futuras poderão incorporar análises quantitativas, dados georreferenciados de mobilidade urbana, estudos epidemiológicos aplicados a eventos de massa e comparações com outras cidades brasileiras e internacionais. Tais abordagens poderão contribuir para o aprimoramento de modelos de governança capazes de integrar cultura, planejamento urbano e saúde pública em contextos metropolitanos.

Por fim, o artigo reafirma que o Carnaval carioca permanece um dos mais importantes espaços de expressão da vida urbana no Rio de Janeiro. Entre a memória da Gripe Espanhola e os desafios impostos pela COVID-19, a festa revela não apenas a capacidade da cidade de celebrar após a crise, mas também a necessidade permanente de construir formas mais justas, resilientes e sustentáveis de organização do espaço urbano. Essa compreensão amplia o debate sobre saúde urbana e megaeventos, apontando caminhos para políticas públicas que reconheçam a cultura como dimensão estratégica da vida coletiva e do desenvolvimento da cidade.

Referências

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SANTOS, Milton. A natureza do espaço. São Paulo: Edusp, 2006.

Sobre os Autores

Diego Marques dos Santos Ramos é Arquiteto e Urbanista e Cenógrafo. Professor do Centro Universitário UNILASALLE-RJ (Cursos reconhecidos como nota MÁXIMA, cinco, do MEC, Arquitetura e Urbanismo e Publicidade e Propaganda). Doutor em Arquitetura e Urbanismo do PPGAU (Programa de Pós- Graduação em Arquitetura e Urbanismo) - EAU/ UFF com bolsa CNPq, tendo seus estudos focados na cidade como cenário vivo de manifestações sócio-culturais, a partir de seu patrimônio material e imaterial, símbolos e poderes e memórias evocadas. Mestre em Urbanismo pelo PROURB (Programa de Pós- Graduação em Urbanismo) - FAU/ UFRJ com bolsa "Aluno Nota Dez" da FAPERJ. Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e tendo cursado dois semestres de intercâmbio acadêmico na Universidad de Chile, em Santiago. Adquirindo conhecimentos de especialista em Sismos (Terremotos), premiado no Concurso CHC 2010 da Bienal Internacional de Arquitetura em Santiago do Chile com o projeto: "ESPACIO T" (Planejamento Urbano da Cidade em casos de Catástrofes). Tendo sido Arquiteto - Gestor de Projetos da TV Globo/ Metroll. Microempresário, Diretor e ator teatral formado pelo SATED - RJ atua, ainda, como: cenógrafo, figurinista, produtor e professor de Teatro da CIA JUKAH DE TEATRO e da Academia DEVANT Espaço de Dança. Cenógrafo de diversos espetáculos teatrais e eventos privados.Fundador e Microempreendedor da Cia JUKAH de Teatro, premiada pela relevância no cenário cultural da Cidade de Niterói pela Câmara Municipal da Cidade com o Diploma Nicette Bruno.

Lucas Souza Soriano é estudante de Arquitetura e Urbanismo | Artista Plástico | Ator Teatral Discente do UNILASALLE-RJ, com atuação acadêmica destacada como monitor da disciplina de Modelos e Maquetes. Desenvolve projetos arquitetônicos em diferentes escalas e tipologias, incluindo pavilhões, edificações residenciais, escolares, hospitalares e museológicas, articulando criatividade, técnica e sensibilidade estética. Atualmente é estagiário na Secretaria Municipal de Urbanismo e Mobilidade de Niterói, participando de processos relacionados ao planejamento urbano e ao desenvolvimento da cidade.

Contribuições dos Autores

Conceituação, [D.M.S.R]; metodologia, [D.M.S.R]; análise formal, [D.M.S.R]; investigação, [D.M.S.R e L.S.S]; curadoria de dados, [L.S.S]; redação—preparação do rascunho original, [D.M.S.R e L.S.S]; redação—revisão e edição [D.M.S.R]; visualização, [D.M.S.R e L.S.S]; supervisão, [D.M.S.R]; administração do projeto, [D.M.S.R e L.S.S]. Todos os autores leram e concordaram com a versão publicada do manuscrito.

Agradecimentos

Este artigo é também uma homenagem aos pequenos gestos de cuidado que sustentaram a vida nos momentos de maior incerteza. À minha esposa, Nicolle Guenther, médica, cuja dedicação diária ao cuidado com o outro sempre me recordou que a ciência e a sensibilidade caminham juntas. À minha querida amiga Itaiara Lago, pelo apoio generoso e constante, que tornou possível atravessar aquele período com serenidade e esperança.

Durante a pandemia, enquanto as aulas migravam para as telas e a cidade parecia reinventar seus ritmos, nossa filha Athena, então com apenas um ano de idade, descobria o mundo pelas janelas de casa. Foi preciso transformar um tempo difícil em um tempo de imaginação, explicando, por meio do lúdico, que havia pequenos "bichinhos" espalhados pelo ar, mas que eles não eram maiores do que o cuidado, a responsabilidade, a confiança na ciência, a fé e, sobretudo, o amor que compartilhamos uns pelos outros.

Hoje compreendo que aqueles dias ensinaram uma lição que ultrapassa este estudo: as cidades podem silenciar por algum tempo, mas a esperança continua habitando os encontros, o afeto e a capacidade humana de cuidar. Que este trabalho seja também um reconhecimento a todas as pessoas que, com coragem, estudos e solidariedade, ajudaram a transformar um período de incertezas em uma oportunidade de fortalecer os laços da ciência e do conhecimento que nos mantêm verdadeiramente vivos em meio a ignoräncias disseminadas.

Conflitos de Interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Sobre a Coleção Estudos Cariocas

A Coleção Estudos Cariocas (ISSN 1984-7203) é uma publicação de estudos e pesquisas sobre o Município do Rio de Janeiro, vinculada ao Instituto Pereira Passos (IPP) da Secretaria Municipal da Casa Civil da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Seu objetivo é divulgar a produção técnico-científica sobre temas relacionados à cidade do Rio de Janeiro, bem como sua vinculação metropolitana e em contextos regionais, nacionais e internacionais. Está aberta a quaisquer pesquisadores (sejam eles servidores municipais ou não), abrangendo áreas diversas - sempre que atendam, parcial ou integralmente, o recorte espacial da cidade do Rio de Janeiro.

Os artigos também necessitam guardar coerência com os objetivos do Instituto, a saber:

Especial  ênfase  será  dada  no  tocante  à  articulação  dos  artigos  à  proposta  de desenvolvimento  econômico  da  cidade.  Desse  modo,  espera-se  que  os  artigos multidisciplinares  submetidos  à  revista  respondam  às  necessidades  de desenvolvimento urbano do Rio de Janeiro.

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